Por que o meu cão me segue para todo o lado?

Vamos explicar porque é que às vezes o seu cão o segue para todo o lado, por de sensações simples que, de uma forma ou de outra, sabemos que os cães têm, como o medo, o conforto, a felicidade…

Antes de responder a esta pergunta, é necessário explicar algumas ideias:

  • Os especialistas no assunto comportamento são os etólogos, um ramo da medicina veterinária cada vez mais ouvido, mais respeitado e que, por vezes, nos ajuda a resolver problemas a nível físico e/ou endócrino. É importante destacar este último, porque o sistema endócrino tem uma parte que produzirá sintomas ao nível comportamental, embora outros órgãos ou sistemas também possam ser afetados.
  • A segunda ideia é que deve saber que os cães são animais cujo instinto é viver em matilha, na qual existe sempre um líder que os protege e cuida deles. Esse líder é quem costuma definir os ritmos de movimento e comportamento dos outros. Os cães tendem a seguir os seus donos porque para eles são os seus líderes. Eles sentem esse respeito, carinho e lealdade para com o dono, e precisam da sua companhia.

Na maioria das vezes esse comportamento acontece desde muito cedo, quando o cachorro quer ficar consigo o dia todo e, no instante em que se separa dele, às vezes ele refila e chora. Esta é uma fase fundamental que requer paciência e muita força de vontade, mas é preciso ensinar aos poucos o cachorro a se separar de nós para que não nos dê problemas no futuro. Brinque aos poucoscada vez mais separados de nós, atire o brinquedo para mais longe e socializá-lo com outros cães ou pessoas será um ótimo exercício de comportamento para o futuro. Também é fundamental que a atitude do dono em situações estranhas, em lugares novos ou na interação com outras pessoas, seja bem descontraída para que o nosso peludo não fique com medo, e até o recompense por brincar, de explorar novos horizontes e fazer novos amigos.

Um dos erros que geralmente se comete é segurar o nosso animal de estimação nos braços numa nova situação e, normalmente, isso costuma ser negativo para eles se for feito de maneira recorrente na presença de certas pessoas ou ambientes. Isso vai dar-lhe a ideia de que está mais protegido ao seu lado do que se estiver solto, e pode reforçar esse comportamento.

Quando esse comportamento de segui-lo para todo o lado continua em idade adulta, pode ser por não ter aplicado o que foi mencionado acima, ou por tédio e falta de estímulos no seu ambiente. Em primeiro lugar, se o seu cão fica excessivamente feliz quando você chega a casa, ele pode se tornar “hiper animado”, deve tentar evitar prestar-lhe demasiada atenção, cumprimente-o, mas imediatamente vire-se e preste atenção a outra coisa, e não se vire para ele até ele se acalmar.

É normal que o cão queira estar consigo, porque é a maneira dele dizer que o ama, que se sente à vontade consigo e que o vê como um dos seus. Porque, como comentado acima, os cães são animais sociais e é próprio deles interagir em matilha, mas deve saber ensinar o seu melhor amigo quem é o líder da matilha, e nunca deve ser ele. O problema surge quando tem que se separar dele e a solidão toma conta dele, ou quando o leva ao veterinário, ou à tosquia, e ele nem deixa se chegarem perto.

Às vezes, quando está sozinho em casa, pode ladrar por horas a fio, ou destruir tudo o que encontra, principalmente as coisas que estão ao lado da porta da frente da casa, e a realidade é que às vezes eles passam muito mal. Nesses casos é comum ansiedade por separação, uma patologia que requer tratamento específico verificado por um veterinário para redirecionar o seu comportamento, para se sentir mais seguro de si mesmo e deixá-lo ser mais equilibrado no seu comportamento. Pode incluir desde mudanças na forma como se relaciona com o seu animal de estimação, a tratamentos com ansiolíticos que lentamente ajudem a reduzir esse comportamento.

Existem várias coisas que podem ser feitas para evitar chegar a esta situação, entre as quais se recomendam:

  • Saia de casa ocasionalmente, deixando o cachorrinho sozinho, nas primeiras vezes por um tempo bem curto (30 segundos ou 1 minuto), e depois vá aumentando essas saídas.
  • Não dê muita atenção ao seu cão quando chegar, cumprimente-o e pouco mais. Quanto mais animado, menos atenção.
  • Não o repreenda assim que chegar a casa se vir algo partido .
  • Confundir o seu amigo de vez em quando, fazendo barulho com as chaves, mas sem realmente sair de casa, ou vestir o casaco e ficar em casa, ou sair de casa sem avisá-lo ou sem se despedir de ninguém... Mas que tenha comida antes de ir sair.
  • Existem brinquedos antistresse muito interessantes que mantêm o animal de estimação entretido por um tempo tentando tirar comida (são como labirintos ou puzzles de comida). Também se chamam jogos para o olfato. Quando estiver em casa, retire os brinquedos, use-os apenas na sua ausência. Mas se o cão se aperceber que está a retirar o brinquedo, tenha cuidado porque para ele é sinal de que vai sair. Faça-o com inteligência, não é fácil, mas de certeza que vai conseguir.
  • Permita que o seu cão faça muito exercício. Se ele se cansar, suportará melhor os momentos de solidão a dormir ou a descansar, e assim não terá tanta energia para destruir ou ladrar e refilar.

Resumindo, devemos evitar que a necessidade de estar constantemente connosco se torne numa obsessão, para isso é aconselhável seguir algumas orientações e estabelecer regras desde o primeiro dia em que o seu peludo chega a casa e, como sempre, consulte o seu veterinário perante qualquer dúvida.